Quando era pequeno, lembro bastante de xingarem quem usava óculos. Crescidas, essas mesmas pessoas que tratavam tal objeto com desdém aprenderam a lidar com o “problema”, e eu era um deles. Irritava os coitados dos geeks fazendo piadas de mal gosto e hoje sou completamente apaixonado por esse acessório tão incrível, sejam escuros ou de grau. Acho óculos o máááximo, MESMO. Tenho até inveja (branca, tá?) de quem precisa deles. Já que eu não me encaixo nesse caso, eu fico com os meus escuros mesmo. Thanks God!
Minha paixão surgiu olhando fotos antigas do meu pai. Ele é músico/publicitário, e já foi de algumas bandas bem famosas como a de Rita Lee, Gal Costa, Elis Regina, Ney Matogrosso, por ai seguindo em plenos 80’s. Já da pra imaginar o estilão né? Eu chamo de new hippie-chic, e ele ri. Na época, daddy usava um Ray-Ban, daqueles que ainda eram fabricados pela Baush & Lomb, bem vintages! A partir daí comecei minha pequena crise por óculos. Crise mesmo, até pelo fato de que eu perco óculos como se fosse maço de cigarro, uó.
Pra quem não sabe a Baush & Lomb foi fundada em 1937 por Lester Belisario, em Milão e foi vendida para o grupo Luxottica em 1999. Ainda é possível achar óculos fabricados pela primeira representante da marca Ray-Ban em feiras de antiguidade e brechós, e tem frames bem modernos até para a época. Minha dica é: todo domingo tem a feira do Bixiga, na Bela Vista, e lá é bem legal. Quer saber mais sobre? Da um google por ai!
A Baush & Lomb foi responsável pelo fenômeno dos óculos modelo aviador anos depois de sua fundação, quando um piloto de teste andava de balão e seus olhos foram feridos permanentemente pelo sol. John Macready encomendou então, um óculos que protegesse seus olhos mas que também tivesse um visual sofisticado. Surge assim o Ray-Ban Aviator, que em pouco tempo vestiria todos os rostos dos pilotos de avião e do exército dos Estados Unidos. Tudo por que um general americano importante saiu numa foto de jornal usando o tal óculos. Febre fashion não fashion, impressionante como tendência fazia mais sentido antes.
No começo da década de 50, depois de inúmeros modelos de aviador que a Ray-Ban criou, a marca precisava se reinventar e com isso criou o Way-Farer. O modelo foi um marco revolucionário para o design. Praticamente se vendia sozinho já que muitos artistas e personalidades adotaram-o. Entre eles Audrey Hepburn, Bob Dylan, Jack Nicholson, Madonna, Andy Warhol, John Lennon, , Dafne Guinnes, Bianca Jagger, Jerry Hall, Eddie Sedwick, Lou Reed… e assim segue a longa lista. Até Anna Wintour, que dizem ser uma mala sem alça quando o assunto é óculos (não só nesse assunto…) foi vista algumas vezes usando o modelo, para esconder suas suaves bolsas nos olhos nas primeiras filas de desfiles de moda around the world. O resultado? Propaganda pronta. O óculos se tornou tão popular que vende que nem água, até hoje. Never hide, babe.
Entrei nesse assunto por que semanas atrás reencontrei um amigo que conheci em Caraíva na Bahia, Juan Carri (sim, foi pelo Facebook, oh, pobre século 21), e semanas depois marcamos de nos encontrar.
Conversando com ele contamos um ao outro o que estávamos aprontando das nossas vidas. Também, amante de óculos escuros (inclusive emprestei meu Way-Farer vermelho pra ele durante a temporada baiana, o garoto pirou nele, queria ate comprar meu óculos) me veio com uma surpresa dizendo que estava fabricando alguns modelos de óculos! As peças são de madeira, no maior estilo Saint Tropez! Resumo da ópera: eram lindos e eu queria me matar.
A Leaf, marca dele e do irmão Alejandro Carri começou numa brincadeira, uma experimentação em casa mesmo, depois deles terem visto um vídeo na internet.
A idéia se desenvolveu e Juan completa: “ Larguei meu trabalho, e pusemos (eu e meu irmão) a mão na massa mesmo, cada um com o tempo que tinha” Vide que ele estuda economia e o irmão é médico. A cada passo que eles davam a coisa se difundia. “Começamos a fazer uns moldes de madeira balsa, bem toscos mesmo, esquentando estilete na vela pra cortar, risos, e para desenhar peguei um óculos velho, o desmontei e fiz o molde” contou ele, “depois disso meu pai disse que em um mês conseguiríamos fazer um protótipo legal, mas eu queria um para segunda-feira!”. O tal modelo saiu do forno a jato. O resultado? Caiu na boca do povo, e em pouco tempo eles abriram uma pagina no Facebook. Nada pretensioso, mas o que gerou um “boom” de comentários e encomendas.
A coisa foi pra frente, os dois inauguram logo logo uma loja no terceiro andar da famosa Galeria Ouro Fino, berço de algumas marcas que se tornaram referência de moda em SP. Lá mesmo eles fabricam as pecas, que por enquanto contam com modelos de óculos em 3 tipos de madeira (compradas de distribuidoras autorizadas, é claro!) e que já estão à venda. E mais três modelos estão em vias de sair do forno.
Gostou? Enquanto a loja não abre você pode compra-los aqui:
http://www.facebook.com/messages/100001219203531#!/wearleaf
Olho neles!
Minha deixa: Quem não tem colírio…
Fui!






















































































